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BUSSACO

PROPRIA DOMUS OMNIUM OPTIMA

BUSSACO

PROPRIA DOMUS OMNIUM OPTIMA

23
Jan13

DESTRUIÇÃO

Peter

 

 Imagem do Cedro de S.José ,plantado em 1628 . Lutando contra o vento,

o velho leão segurou-se no tronco mas não na copa que lhe voou. Estava 

há tempos desprotegida porque se lhe partiu a espia de aço que a  sustentava.

Apesar de avisada a fundação nunca quis saber do doente e o resultado

está á vista!!!!!

N ão é a primeira vez que a Mata do Buçaco é destruída por causas naturais. De facto, o terrível ciclone de 15 de Fevereiro de 1941, ainda na memória de poucos sobreviventes, entrou na floresta com idêntica violência e causou graves prejuízos abatendo centenas de árvores. Quem de direito, no caso o Estado português, ressuscitou-a replantando e levando a cabo as obras de reconstrução e o tempo alongou-se por anos e anos para dar o tempo necessário á natureza para se regenerar.

Não sabemos se irá acontecer o mesmo desta vez, esperemos que sim, que os responsáveis e os que aqui acorreram para fins do seu próprio prestígio e arranjos de fundos comunitários e outras bem parecenças, estejam á altura dos acontecimentos.

Nós, os que escrevemos estas linhas sem o cartão partidário, não temos força para exigir, somos uns pobres de Cristo quer na cidadania, quer na consideração que o poder instituído, a democracia, tem por nós, para além da medida em que servimos para lhe encher os bolsos. Por tal motivo não há muito mais a dizer, para lá do choradinho habitual, para lá da estranha ditadura democrática em que vivemos.

Numa página dessa também estranha coisa que se chama facebook deixei uma nota pessoal ainda a quente que vou deixar aqui transcrita a frio. Diz assim:

“Á maneira pouco cuidada com que tem sido tratada pela fundação a Mata Politica do Buçaco, mas que na verdade é uma Mata Nacional, juntou-se a violência das forças da natureza como que a completar o serviço. Castigo, diriam frades, se existissem.

 Os paroquianos da política porém choram sobre a sobranceria, a arrogância e as habilidades das gestões da curiosidade confundida entre bosques e cimento. Diga-se que dos 44% da avaliação da gestora, ela terá a responsabilidade dos mesmos 44% que lhe são devidos pelas brincadeiras que  vão levando a cabo.

A Mata vai continuar a ser amada da mesma maneira por quem verdadeiramente a ama, se é que se pode amar uma Mata. Mas não é o soldo, nem o cartão partidário nem o oportunismo que amam a Mata do Buçaco. Quem a ama é a população da freguesia a quem ela é recusada. Aqueles que se lembram ou sabem do ciclone de 41. Os turistas bem informados por livros de todo o mundo. Ingleses militaristas com a fobia das guerras, ambientalistas, caminheiros, monges até os que, crentemente, recalcam a Via-sacra.

 Hão-de chorar com o sentimento do amor ás coisas simples, ao berço, ás plantas, ao silêncio. Os mangas-de-alpaca, por outro lado, hão-de chorar o sentimento do metal, do partido, da regalia, do desenrasca. Fazem-me rir as lamúrias dos milionários!

Porque a Mata, todas as Matas, por mais estima que se lhes possa dedicar, estão sujeitas aos rigores da natureza, á destruição pelas  forças que nos superam a vontade e muitas vezes a vida.

Se for recuperada por quem sabe destas coisas, felizmente este país já forma engenheiros na matéria, há-de regenerar e voltar a ser o que era.

O tempo, o saber, o amor e a profissão farão o milagre natural, não se dúvide e mais e melhores cuidados de futuro podem ajudar a conservar o património agora destruído.

Os arbustos cortados, o chão rapado e arroteado, as regueiras entupidas, os cortes desenfreados de árvores, as clareiras abertas, o cedro de S. José ao abandono partido que foi o suporte de aço que o sustentava á anos, as ribeiras obstruídas, a proibição de entrada no bosque dada aos primeiros socorristas do espaço que são os moradores da freguesia, a criação de anticorpos entre a gestão e os naturais, deram a todo o processo da Mata Nacional do Buçaco um ar de intrusão e posse de muito pouca sensibilidade para o coberto e para os humanos.

Mas não foram estes factos que destruíram a Mata, tal como em 1941, foi o ciclone, o vendaval, a tempestade, porém, não pode passar em claro uma advertência, se a gestão fosse profissional, cuidada e de sabedoria, bem poderia ter sido mais reduzida a dimensão dos estragos provocados.

Tal e qual como aquela história dos azevinheiros no inicio do mandato, também ali, se houvesse uma gestão com um mínimo de bom senso, dezenas de azevinheiros, árvore protegida, não teriam sido cortados pelo tronco rente á terra mãe e não teríamos assistido ao branqueamento de mais um crime entre os muitos digeridos pelo discricionário poder.

Nesta conformidade faço votos por uma rápida recuperação da floresta do Buçaco, mas duvido que seja feita com alguma eficiência e conhecimento pela mão da gente que ali opera. O que será pior que o desastre da natureza. É uma opinião pessoal.

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