Domingo, 27 de Janeiro de 2013

OS TOMBOS DO BUÇACO

 

A gigantesca arranca jaz junto ao tronco do mais velho cedro da mata do Buçaco.

 

 

                   HISTÓRIA DE BENJAMINS  *               

 

                          A lgumas histórias da Fundação Buçaco tem que  ser contadas para termos uma noção do que é a instituição. Para começar, já não se duvida  que a  dita fundação tem as portas fechadas á freguesia do Luso. Chegaram, tomaram conta do bem como de um quintal de  sua inteira  propriedade, e criaram uma  barreira entre eles e a população local com agressividade, desprezo e antipatia. Neste momento,o incomodo é reciproco.E as pessoas que adoravam e adoram o Buçaco,vêm-no hoje doente, anorético, como  uma  cangrena a precisar de mudança e cura para voltar a ser como era ,um espaço aberto , sério  um recurso turistico de primeira grandeza do municipio e região.

                   Não é assim que a fundação vê o Buçaco. Não tem noção desta dimensão, vê-o como uma  paroquial agremiação de cultura ou folcklore com os pequenos problemas inerentes áquelas organizações. Falta-lhe pois capacidade de relativizar o que são o valor dos recursos que temos e por isso a  imagem global do Buçaco, a par da imagem das Termas do Luso, tem sido reduzida  e posta ao serviço dum simplismo onde as iniciativas se limitam a uso doméstico e de fraca qualidade para despertar mercados. Numa imagem acessivel, direi que o Buçaco passou a ser uma pérola adormecida. Além de divorciado da freguesia e do concelho, e repete-se aqui o controleirismo politico de que enferma a Câmara da Mealhada, desligando-se completamente duma co-habitação saudavel com o meio, a freguesia e as pessoas que no caso, são os primeiros socorristas do espaço em caso de calamidades .

              A fundação quer ser inimiga e competidora e não um aliado ou um complemento   do turismo local e concelhio como sempre foi a Mata do Buçaco. Leia-se a história da industria hoteleira a partir da construção do hotel da mata e  depois do palace hotel para se perceber a importância que teve nos primordios do turismo em Portugal e  como esteve desde esse inicio  perfeitamente inserido no meio, em consonânsia, ás vezes  não muito fácil, com a parte militar, a parte religiosa e a parte cultural. Hoje, ditatorialmente , excluiem-se as outras o que  anarquisa e falsifica as eventuais intervenções no espaço. Entregue por engano , irresponsabilidade ou clientelismo  politico a  quem pouco percebe da actividade, o perimetro da Mata está transformado numa loja onde tudo se paga para dar um passo e onde não se pretende dar nada em troca. Paga-se para entrar na floresta, para entrar no Convento, para procurar morcegos, observar peixes que não existem em  ribeiros que os não tem, por apanhar meia duzia de castanhas a quem as viu pelo chão no tempo delas,e outros disparates que afastam deste amadorismo saloio o turista sério e pagante, aquele que pode  verdadeiramente trazer valor acrescentado.  Brincar com os meninos das escolinhas locais depois contabilizados como turistas , para lá do encanto que pode trazer ás crianças, nada acrescenta nem tira á actividade hoteleira . Que o digam o Hotel do Buçaco e as unidades do Luso vitimas da crise mas também do mau desempenho buçaquino. Mas mesmo as crianças , usadas conforme a conveniência,não parece merecerem grande importãncia aos presumidos gestores de coisas publicas, como vou relatar a seguir.

              Uma das últimas histórias é esta:

              O Clube Desportivo local tem uma equipa de futebol de "benjamins" constituida por crianças com idades á  volta dos seis anos. Há cerca de um mês ,pouco mais ou menos, o treinador resolveu fazer um passeio  pedestre ao Buçaco com os 35 alunos que tem a escola e por uma questão de delicadeza quando passou pela sede disse ao chefe da fundação, que ganha milhares de euros mensalmente, ao que ia.O  dito chefe puxou pelos galões e por um  livro de recibos e exigiu ao professor a quantia de cem euros para poder brincar, saltar e correr com os miudos  no espaço dentro da Cerca. Iam a pé mas eram um grupo ! Espantado e depois indignado, o responsavel recusou-se a pagar e regressou ao Luso com as crianças. Isto diz bem da inimizade com que a fundação vê a freguesia e põe a nu a  ridicula e irresponsavel gestão da Mata do Buçaco bem como a febre de dinheiro de que enferma.

            Passou pouco tempo e caiu sobre  o bosque a tempestade que se sabe com os estragos que causou. Desorientados, os gestores pediram ajuda á população que desde o inicio vêm espezinhando, combatendo e enxotando, digamos assim, traduzindo a sua relação com o meio envolvente em prestação de serviços pagos e regateados. Para chegar ao cumulo de exigir  a um residente que ouviu o apelo á limpeza e foi com um carro puxado á mão buscar duas ramadas de eucapipto ao meio da estrada, o pagamento dessa lenha. Depois fecharam as portas com  correntes para evitar os roubos!

Estes factos  são indignos  de pessoas que estejam á frente dum espaço como o Buçaco ,porque a realidade é que não compreendem a dimensão do bem nem actuam  dentro dos interesses da freguesia.Quer queiram quer não a Mata é na freguesia administrativa do Luso. Nem entendem os interesses do municipio, nem da região centro , para não ir mais longe porque de facto a  Mata, tal como está, não tem capacidade para ir mais longe.

            Há  dois, três meses a esta parte,vinha a dita chefia a ser alertada por uma associação de defesa local para o facto do cedro de S.José não estar preso pelas espias de sustentação que há muitos anos o seguram  para  que não caia sobre a riba onde se apoia. Depois do aviso com a presença no local, nada foi feito pelo arranjo e reaperto dos cabos  de protecção da centenária árvore, supostamente a mais antiga da floresta plantada pelos carmelitas  descalços por volta de 1644 . Resistiu ao ciclone de 1941 e ruiu agora com a tempestade, não no tronco que se mantém hirto, mas nas ramadas onde faltaram as espias para aparar o corpo gigantesco.Tombaram e arrasaram a Ermida do mesmo nome, de S.José. Mandada construir por Manuel de Saldanha, Reitor da Universidade de Coimbra e combatente da Guerra da Restauração, em 1643 ,os  alicerces foram abertos em 3 de Setembro com a presença  do Reitor, ficou agora reduzida a pouco mais que cacos . Teriam as espias em falta sido suficientes para evitar o derrube ? Fica a dúvida , mas sabe-se da incúria do gestor responsavel pela Mata nada  tentando para repor a defesa contra  eventuais futuros dessastres. O que veio a acontecer.

           Na limpeza e serviços de recuperação do espaço, não conhecemos a presença do Ministério da Agricultura, tutela deste património, de modo que não custa acreditar que este trabalho de limpeza possa vir a  proporcionar mais prejuizos que o próprio temporal. É tempo de alguèm responsavel olhar pelo património que herdamos  das gerações anteriores , não com espirito de mercantil dum merceeiro de bairro, mas com a consciência clara  da matriz   cultural que a todos pertence e diz respeito. A Mata é Nacional.

Quanto a custos,chega de lamentações e peditórios que a madeira abatida pelo vendaval chega e sobra para recuperar o bosque nas devidas condições.


* Esta história não se passou assim. De facto a informação  sobre a visita foi efectuada telefónicamente e o pagamento da mesma exigido pelo telefone. Com a exemplificação prática aqui relatada, dá-de melhor ideia da filosofia que está por trás da fundação.

publicado por Peter às 21:31

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2 comentários:
De milene a 14 de Maio de 2013 às 15:23
Exmo. Sr.,
Antes de mais deixe que me apresente: chamo-me Milene Matos, sou investigadora no Dept. Biologia da Universidade de Aveiro. Com toda a certeza já terá ouvido falar de mim.

Vivemos num país livre e (quase que) democrático, pelo que o senhor, como qualquer cidadão tem direito às suas opiniões e a expressá-las publicamente, até ao limite da difamação, crime contemplado pela constituição portuguesa.

Como já referi, trabalho numa entidade completamente independente da atual entidade gestora da Mata, mas em colaboração com esta. Algo nos distingue: o meu amor à Mata leva-me a trabalhar em conjunto, para fazer dela o que ela merece ser; o senhor apenas trabalha (e gabo-lhe a energia) para destruir e denegrir o trabalho que tem vindo a ser realizado, com o esforço que nem imagina.

Sou livre, independente, posso opinar publicamente, tal como o senhor. Em relação às acusações que manifesta, amor ou desamor, em nada me dizem respeito, exceto quando comprometem a seriedade, rigor e empenho do meu trabalho. Certamente saberá que sou a bióloga, única até hoje, que estudou ao detalhe a fauna da Mata, já desde há muitos longos anos, em condições que não lhe dizem respeito. Mas talvez tivesse mais respeito e consideração pelo trabalho alheio se tiver uma ‘cara’ com quem falar e mais conhecimento de causa. Sim, porque o que o senhor diz são apenas mentiras e desaforos de uma pessoa frustrada e odiante ‘porque sim’.

Voltando ao meu trabalho (convém repetir que em nada se prende com as atividades diretas da FMB e nada ganho desta instituição): afirmar que “observar peixes que não existem em ribeiros que os não tem” é pura ignorância sua e descrédito pelo trabalho alheio. Estivesse menos ocupado em destruir e teria conhecimento, por exemplo, disto: http://www.asbeiras.pt/2012/07/peixe-endemico-iberico-em-extincao-existe-na-mata-do-bucaco/

Pelo menos já conheceria uma das várias espécies de peixes existentes nos “ribeiros que os não tem”. (E já agora, a 3ª pessoa do plural no presente do indicativo conjuga-se 'têm' e não 'tem'.)

Outra coisa prende-se com frases graves como “as crianças , usadas conforme a conveniência”. Um cavalheiro e um cidadão preocupado e atento como o senhor deveria precaver-se de escrever enormidades destas. É do conhecimento público que no âmbito das minhas competências académicas, dou apoio e coordeno o Serviço Educativa da FMB. Sim, pois, caso não saiba, existem profissionais envolvidos no que o senhor tão facilmente rotula de ‘amadorismo’ e ‘Brincar com os meninos das escolinhas locais’ e finalmente alguém que ensina a Mata e os seus valores a todo e qualquer cidadão interessado, com base em rigor e conhecimento e não em ‘diz que disse’ ou ‘histórias mentirosas com asterisco’, como as que apresentou. Mais uma vez o senhor a denegrir o trabalho alheio, que não tem dado mais do que frutos positivos.

O senhor está atento, mas eu também estou. E, eu, enquanto pessoa individual, independente, profissional séria e competente, fartei-me dos seus desaforos e frustrações. Mostre falhas baseadas em factos e não suposições das suas frustrações. Faça o favor de não denegrir o meu trabalho e o nome da minha instituição (UA) sem qualquer conhecimento de causa, de futuro.

Os meus cumprimentos,
Milene Matos
De Peter a 15 de Maio de 2013 às 17:46
Agradeço a visita e o comentário. A verdade é que não tenho o prazer de a conhecer nem mesmo de nome. Acho ótima essa afirmação de liberdade.Tempos houve da minha vida em que nos era impedida essa afirmação e embora tenha sido uma conquista remanescente duma revolução , é certo que não foi suficiente para mudar um país. Por isso existem, entre outros males, as fundações politicas como sabe .Não pretendo comentar os seus comentários, tem todo o direito de os fazer, mas não pode pedir rolhas ao cidadão que liquida os seus impostos e critica a coisa publica.
De qualquer modo parece termos visões diferentes da coisa , mas digo-lhe convicto que em muitos anos de vida nunca vi o Buçaco no estado critico em que está. Também sabe como eu que o trabalho ali desenvolvido foi avaliado na mediocridade duns 44%.
Num país país, que oferecesse futuro aos seus melhores jovens, seriam no minimo destituidos!
Quanto ás mentiras e Verdades, não é assim tão liquido, como também deve saber, destrinçar uma coisa da outra , mas quando se dizem incomodam muita gente. Fico por aqui, cara bióloga. Desejo-lhe muitos êxitos na vida profissional.

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